quarta-feira, 18 de julho de 2007

Pala Pinta

O abrigo de arte rupestre denominado Pala Pinta pertence à freguesia de Carlão, concelho de Alijó.
Estas pinturas pertencem ao período do Neolítico/Calcolítico.

Descrição: abrigo em pala, granítico, com cerca de 12 metros de comprimento e com não mais de 2,5 metros de altura. O painel principal, que acumula a maioria das figuras situa-se na parte direita do abrigo, e é formado por cinco sinais raiados (um deles com dois círculos concêntricos e traços "asteriformes", provavelmente representação solar), por sinais arborescentes, uma cadeia de sete anéis, manchas punctiformes em fiadas lineares e barras paralelas.

A arte esquemática presente em Pala Pinta reflecte os tipos de sociedade que a produziram sendo possível admitir que estejamos em presença dum local escolhido para manifestações de culto, ou seja, dum verdadeiro santuário rupestre.



Sepultura de Sobredos

A sepultura rupestre de Sobredos, também denominada de Campa dos Mouros pertence à freguesia de Vilar de Maçada, concelho de Alijó, distrito de Vila Real.
A sepultura rupestre de Sobredos enquadra-se no período Medieval/Cristão.
Descrição: Sepultura escavada na rocha, de forma antropomórfica. O antropomorfismo desta sepultura é perfeito, com delimitação do corpo, cabeça e ombros de tipologia tipicamente ovalóide. Para a sua construção foi escolhida uma proeminente rocha de granito que integra o afloramento rochoso do sítio. A sua orientação é E/O.

terça-feira, 17 de julho de 2007

Poesia desconcertante, amores vadios



Os três primeiros albuns de Cohen foram remasterizados e reeditados no mercado português.

Talvez valha dizer que gente como Nick Cave, Frank Black, Michael Stipe, que eu cresci ouvindo, são fãs confessos.


O seu sangue no meu braço é quente como um pássaro
o seu coração na minha mão pesado como chumbo
os seus olhos através dos meus brilham mais que o amor
oh manda-nos o corvo antes da pomba Senhor...

A sua vida na minha boca é menos que um homem
a sua morte no meu peito é mais pesada que pedra
os seus olhos através dos meus brilham mais que o amor
oh manda-nos o corvo antes da pomba Senhor...

Oh manda-nos o corvo antes da pomba Senhor
Oh canta apesar das algemas do fundo dessa prisão
os teus olhos através dos meus brilham mais que o amor
o teu sangue detém a morte nesta canção...


Oh canta apesar das algemas do fundo dessa prisão
os teus olhos através dos meus brilham mais que o amor
o teu coração na minha mão pesado como chumbo
o teu sangue no meu braço é quente como um pássaro...

Oh que rompa entre os teus ramos o ramo verde do amor
depois do corvo ter morrido em vez da pomba Senhor

Leonard Cohen: Oração pelo Messias

segunda-feira, 16 de julho de 2007

«Tenebrismo», Caravaggio

Conversão de São Paulo (1600-1601) - Capela Cerasi, Igreja de Santa Maria del Popolo, Roma

sábado, 14 de julho de 2007

Ministério da Educação apresentou 7 projectos de diplomas regulamentadores do ECD

A negociação da REGULAMENTAÇÃO ao Estatuto da Carreira Docente incide nos seguintes pontos (conheça as propostas do ME clicando no respectivo link):
  1. Avaliação do Desempenho. http://www.spgl.pt/cache/bin/XPQ3jTwXX3150eV28FetSMaZKU.pdf
  2. Concurso de Acesso a Professor Titular. http://www.spgl.pt/cache/bin/XPQ3jTwXX3151eV28FetSMaZKU.pdf
  3. Prova de Ingresso na Profissão Docente. http://www.spgl.pt/cache/bin/XPQ3jTwXX3153eV28FetSMaZKU.pdf
  4. Dispensas para Formação. http://www.spgl.pt/cache/bin/XPQ3jTwXX3154eV28FetSMaZKU.pdf
  5. Licença Sabática. http://www.spgl.pt/cache/bin/XPQ3jTwXX3156eV28FetSMaZKU.pdf
  6. Funções Técnico-Pedagógicas. http://www.spgl.pt/cache/bin/XPQ3jTwXX3152eV28FetSMaZKU.pdf
  7. Aquisição dos Graus Académicos de Mestre e Doutor. http://www.spgl.pt/cache/bin/XPQ3jTwXX3155eV28FetSMaZKU.pdf

Eu sei e você sabe

Eu sei e você sabe
Já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe
Que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham a você.
Assim como o Oceano, só é belo com o luar
Assim como a Canção, só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem, só acontece se chover
Assim como o poeta, só é bem grande se sofrer
Assim como viver sem ter amor, não é viver
Não há você sem mim
E eu não existo sem você!
Vinicius de Moraes

O fulgor das casas

As chaminés altas e largas, as casas baixas e caiadas de branco.
Igrejinha, Alentejo.

Horizontes largos

A luz, o silêncio dos campos, as planícies a perder de vista...
O «meu» Alentejo.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Amigo

Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra «amigo».

«Amigo» é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta,
Que se oferece,
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!

«Amigo» (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
«Amigo» é o contrário de inimigo!
«amigo» é o erro corrigido,

Não o erro perseguido, explorado,
É a verdade partilhada, praticada.

«Amigo» é a solidão derrotada!

«Amigo» é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
«Amigo» vai ser, é já uma grande festa!


Alexandre O´Neill, in No Reino da Dinamarca

Evocação de Silves

Saúda, por mim, Abu Bakr

Os queridos lugares de Silves

E diz-me se deles a saudade

É tão grande quanto a minha.

Saúda o palácio dos Balcões

Da parte de quem nunca os esqueceu.

Morada de leões e de gazelas

Salas e sombras onde eu

Doce refúgio encontrava

Entre ancas opulentas

E tão estreitas cinturas!

Mulheres níveas e morenas

Atravessavam-me a alma

Como brancas espadas

E lanças escuras.

Ai quantas noites fiquei,

Lá no remanso do rio,

Nos jogos do amor

Com a da pulseira curva

Igual aos meandros da água

Enquanto o tempo passava...

E me servia de vinho:

o vinho do seu olhar

Às vezes o do seu copo

E outras vezes o da boca.

Tangia cordas de alaúde

E eis que eu estremecia

Como se estivesse ouvindo

Tendões de colos cortados.

Mas retirava o seu manto

Grácil detalhe mostrando:

Era ramo de salgueiro

Que abria o seu botão

Para ostentar a flor.


Al-Mu´tamid (1040-1095), conhecido como o "Rei-Poeta de Sevilha".

Nasceu em Beja.





Salazarismo e arte


«(...) Há uma arte salazarista? Se sim, quais são as suas características? Qual o seu discurso ideológico? Que Estado expõe? Que sociedade estabelece? Que História evoca? Que Império organiza? Que imaginário constrói? É possível ler Salazar na pintura, na escultura, nas obras públicas, no urbanismo, do seu tempo?

O salazarismo serviu-se das artes plásticas para a sua conquista do poder? Qual foi o papel das artes plásticas na institucionalização do regime? E nas comemorações do regime?

Encenou o salazarismo, com os seus colegas maiores - o fascismo italiano e o nazismo alemão - o seu espaço político, a sua cidade? Em que medida é que foi influenciado por esses colegas maiores?

Que arte exportou o salazarismo para as colónias? Qual foi a arte colonial salazarista? Em que arte se faz e se revê o Império?


Condicionou o Estado salazarista, directamente, especificamente, as actividades artísticas? Através de que departamentos se relacionava o Estado com os artistas? »